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Esta é a continuação do trabalho de conclusão da pós graduação da Sociedade Brasileira de Dinâmica dos Grupos. Espero que gostem da leitura.
2ª Parte
Quando a comunicação se estabelece mal, ou não se estabelece, entre as pessoas ou entre grupos, resultam alguns fenômenos psíquicos. Para Lewin, quando a comunicação é interrompida há bloqueio e quando não é comunicada senão uma parte do que os interlocutores pensam, sabem ou sentem a comunicação acompanha-se de filtragem. Segundo Mailhiot(……) a filtragem é mais prejudicial para o desenvolvimento da comunicação grupal do que o bloqueio. Diz ele:
“o bloqueio obriga os interlocutores a questionar suas comunicações e geralmente lhes permite reatá-las e restabelecê-las em um clima mais aberto e uma base mais autêntica, cada interlocutor tomando consciência do que neles e entre eles constitui obstáculo a suas trocas. Em caso de filtragem, entretanto, porque a comunicação subsiste enquanto a confiança diminui, ela tende a acompanhar-se de reticências e de restrições mentais, degradando-se e degenerando pouco a pouco em troca de mensagens cada vez mais ambíguas e equívocas”. (p.79 – mailhiot).
A perspectiva desse artigo é olhar estes dois aspectos da comunicação. No entanto, o que Lewin optou por chamar de bloqueios e filtragens, aqui será chamado de não dito, que engloba uma série de outros fenômenos, considerados como recorrentes e relevantes para o entendimento do funcionamento dos grupos.
Assim, do que mais se fala quando se faz referência ao não dito? Debieux (….) escreve que:
“ O não-dito diz respeito a diversas facetas da linguagem e, como tal, diz respeito ao inconsciente. Embora não se sobreponha a este pois pode contribuir para equacionar algumas dimensões da prática psicanalítica constituindo-se um operador, por excelência, da escuta psicanalítica”.(p.26 -debieux).
Acima a autora ressalta a faceta inconsciente do fenômeno do não dito, no entanto, como pode-se observar, há vários tipos e manifestações desse mesmo fenômeno, algumas delas são: o mal-entendido, os silêncios, o mal-dito, o sagrado e os não-ditos voluntários, que são os segredos (aquilo que não se deve dizer, especialmente por restrições morais), o implícito e as convenções sociais com seus mitos. Segundo esta mesma autora
“as histórias que não são contadas, as palavras censuradas, as verdades caladas, estas e outras espécies de não dito acarretam consequencias, nunca benfazejas e quase sempre patológicas, em cada caso, o infantil sujeito sofre e, em razão de tais mordaças, produz sintomas” (p.13 – debieux)
No trecho acima, Debieux fala especificamente do sujeito infantil, no entanto, também pode-se fazer um paralelo do que ela está referindo com os indivíduos adultos e na relação de grupo. A psicanálise denuncia que aquilo que não é dito volta em forma de sintoma, ou melhor, na forma de um comportamento repetitivo, cristalizando o movimento do grupo.
Referência:
Artigo: Não Dito nos Grupos – Ana Kelly Martinez e Camila Soares – SBDG